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28 de set de 2010

Mesmo assim

Ilustração
Sobre as coisas, sobre o que vem o que anda se move
O que não tem fim a imensidão o mar o coração
Sobre as estrela a rosa o que vem e vai
O amor a paixão tudo sem ilusão
Sem querer, sem machucar, sem desanimar
O beijar, a canção não pode parar
O meu ego não se desfaz não esfria
Só tenho o fervor do que eu sinto Não penso muito que vou fazer
Quando se trata da minha vida
Parece que não percebo e não dou conta
Do que você me apronta
É uma utopia pensar em você Posso parar de imaginar
E me sentir mais feliz
Posso não dizer, mas já fui melhor
O que me parece é a ingratidão e mesmo assim
Quero você pra mim
Por Márcio Ferreira


27 de set de 2010

Vem me amar

Ilustração
Vem me amar e deixar te entregar
O mais puro prazer em nós dois
Deixa de castigar
Esse meu pobre coração e admite
Que existe emoção
Dá pra ver em seu olhar
O fervor que há
Então deixa fluir para entregar a mim
O seu corpo a sua paixão
E assim não nos deixamos no fim
E sim no sempre recomeço a cada noite
Para concretizar e construir
Esse laço que o amor nos une
Sem nada de dor
Somente o amor
Sem meio termo, tem que ser completo
É o espaço que falta pra mim
Fazer com que tudo seja bom
Nosso relacionamento esquentar
Todo o dia te beijar
É o que me faz sonhar, ter você
Por Márcio Ferreira

22 de set de 2010

Por Mário Quintana

Mario_Quintana
Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão.
Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a Eternidade. Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não astava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro - o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton! Excusez du peu... Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros? Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de farmácia durante cinco anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Érico Veríssimo - que bem sabem (ou souberam) o que é a luta amorosa com as palavras.
Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso

Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)

E talvez de meu repouso...-- Mário Quintana

2 de set de 2010

Sem noção

blog
Não adianta dizer nada com suas palavras ingratas
A minha vida foi te amar e você conseguiu me desanimar
Com suas mentiras me fez acreditar
Que eu não era capaz de lhe mostrar
Todo aquele fervor que tinha meu amor
   Hoje eu percebo
Que a sua ingratidão só feriu meu coração
Você me fez sonhar e depois foi só ilusão
Posso hoje viver chorando
Mas essas lágrimas vão enxugar         E eu vou saber que não valeu à pena
Viver a te amar
Na verdade eu já sei que tudo foi em vão
Preciso me recuperar
Desse amor sem noção
Por Márcio Ferreira

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